Decio Soncini traz para a Elf Galeria Os Infinitos Cantos do Ateliê

   A palavra de origem francesa atelier, muito além de designar estúdio artístico, indica o lugar onde o pintor estabelece o seu encontro com o ato criativo, é, portanto, um lugar que ele escolhe e define livremente e que já se insere como pré-requisito na elaboração de uma obra de arte. Rembrandt, um dos maiores nomes da história da arte, teve seu enorme estúdio em Amsterdã transformado em Museu; Vincent Van Gogh viveu na pobreza durante toda a vida e pintava nos albergues da Holanda, Bélgica, Inglaterra e França, conforme o país onde residisse; Claude Monet possuía em Giverny um ateliê a céu aberto; por um período, o surrealista Salvador Dalí fez da pequena cabana de pescadores de Portlligat, o seu ateliê; nos verões, Kandisnky tinha seu ateliê na própria casa, situada em Murnau, a 70 quilômetros ao sul de Munique; o pintor andaluz Pablo Picasso se refugiou por dois anos em um castelo francês, em Aix en Provence, para pintar; Courbet trabalhava em um ateliê que lembrava uma caverna. Nesses e em outros cenários diversificados, cada artista produziu com suas telas uma verdadeira alquimia de sentimentos e emoções, que até hoje encantam e extasia quem as contempla.
   O convidado do mês de maio da Elf galeria, elegeu os arredores do Ipiranga para estabelecer o seu ateliê, mais precisamente a tranquila Rua Lino Coutinho, em São Paulo. Em uma construção charmosa, ele vive e revela as inquietações dos seus Infinitos Cantos do Ateliê, com uma série de pinturas sobre tela, que compõem a mostra que se inicia no próximo dia 10 de maio. Nas telas, o expressionismo surge em cores fortes por meio de aparições, tocando Blues, saudando na língua inglesa o dia que amanhece, descosturando, em perfídias fictícias ou mesmo pintando flores, no lar doce lar... As composições estéticas revelam a vasta experiência do artista e o pleno domínio do chamado pensamento pictórico, demonstrados no manejo da tinta, na aplicação da veladura, nos efeitos cumulativos das pinceladas, nas sombras, luzes, cores, linhas, formas, perspectivas e profundidades, ou mesmo nos contrastes, atributos possivelmente adquiridos desde a sua formação na Faculdade de Belas Artes de São Paulo e aprimorados pelo severo exercício que se impõe ao pintar diariamente.
   Décio Soncini (1953) é um veterano e já bastante conhecido em Belém pelas inúmeras mostras individuais e coletivas que vem participando ao longo dessas décadas, tendo iniciado sua jornada nesta cidade ainda na década de 80, por meio do convite de Gileno Muller Chaves, [o fundador da Elf Galeria, curador e crítico de arte, já falecido], e ainda permanecendo no elenco de artistas representados pela galeria.
A mostra “Soncini e Os Infinitos Cantos do Ateliê” sugere a interação concreta da pintura e com a poesia, porque permite conjugá-las na mesma linguagem e dar o sentido que a subjetividade desejar estabelecer, nesse humano, uno e múltiplo mundo interior, composto por pensamentos, sentimentos e emoções.

Lúcia Chaves
maio de 2014

    

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Décio Soncini



Currículo artístico



Antonio Zago - Revista "Isto É" - abr./1982 



Alberto Beutemüller - Revista Visão/abr. de 1982 



Enock Sacramento - Exposição - 1985 / Apresentação



Olívio Tavares de Araújo - Exposição - 1988 / apresentação



Radah Abramo - Revista "Isto É" - março/1989 



Walter de Queiroz Guerreiro - Exposição - 1993 / Apresentação



Artigo publicado no jornal "A Noticia" em outubro de 2003



Walter Queiroz Guerreiro - Inédito - Maio/2008 



Raul Forbes - Apresentação da exposição "Paisagens" - setembro/2011 



Walter de Queiroz Guerreiro - "Passagens" - agosto/2014 



Enock Sacramento- "4.2: Gonzalez e Soncini" - Março/Junho/2019


 
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